terça-feira, 26 de julho de 2011

Suposto lobby pode atrasar projetos da Copa em Cuiabá
Publicado: segunda-feira, 25 de julho de 2011
Especialistas em transportes dizem que sistema de transporte não fica pronto até o Mundial


Os projetos de adequação do sistema intermodal de transporte em Cuiabá podem estar comprometidos. Pelo menos é o que aponta a edição de domingo (24) do jornal Folha de S. Paulo.

O problema, segundo a publicação, é que o lobby promovido por empreiteiras e fabricantes de equipamentos ferroviários está modificando os projetos de transporte para a Copa de 2014.

Das cidades-sedes, Cuiabá e Salvador (BA) já assumiram publicamente a troca dos projetos. Segundo a Folha, outras cidades também sofrem "pressão" para mudarem o sistema de transporte a ser implantado. Natal (RN) também já incluiu um projeto ferroviárias em suas obras.

No início do mês, o governador anunciou a mudança do BRT para VLT. O projeto, que custaria R$ 488 milhões, deverá saltar para, no mínimo, R$ 1,1 bilhão. Segundo o jornal, o preço da passagem no VLT é projetado para ser o dobro do BRT.

Um consultor ouvido pelo jornal garante que os projetos do VLT não terão condições de ser finalizados até a Copa de 2014. "A única certeza nessas mudanças é que nenhum projeto VLT vai fica pronto até a Copa", disse o consultor Cláudio de Senna Frederico, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo e que trabalha com BRTs.

VLT reduz desapropriações, alega Eder Moraes

O presidente da Agência Executora das Obras da Copa do Mundo (Agecopa), Eder Moraes, em entrevista ao jornal paulista, afirmou que as desapropriações para realizar as obras do BRT seriam até 90 vezes maiores que para fazer o VLT. Segundo ele, não é adequado avaliar o projeto pelo custo.

"Estamos investindo R$ 1 bilhão na melhoria da qualidade de vida", afirmou Eder, que garantiu que as obras ficam prontas antes da Copa de 2014.

O presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, deputado José Riva, afirmou que não levou empresários até o Governo, e sim "consultores", para apresentar as vantanges do VLT. Segundo ele, haverá audiências públicas para debater qual o melhor sistema. "Nós não estamos preocupados com empresas, até porque tem que ser feita licitação", garantiu o parlamentar.

Fonte: Mídia News

sábado, 16 de julho de 2011

Por que somos VLT em Cuiabá

16/07/2011 - Midia News

Trata-se de um metrô suspenso que ocuparia menos espaço e teria um número bem menor de desapropriações.

Por Oiran Gutuerrez

O sistema de transporte para a Copa em Cuiabá continua gerando polêmica e a Agecopa vem sendo questionada em relação a escolha do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

O modal de transporte do projeto de mobilidade urbana para Cuiabá e Várzea Grande está dando o que falar e ainda promete muita discussão em torno do assunto.

O sistema foi amplamente defendido pelo governo do Estado, Assembleia Legislativa e a Agecopa, que chegaram a um consenso para a sua implantação.

O Ministério das Cidades estranhou a decisão na escolha do modal e quer saber agora o que motivou a decisão do governo em escolher o modelo VLT em detrimento do BRT (Bus Rapid Transit).

Ao mesmo tempo, o Governo Federal deixa claro, através da grande mídia, que os Estados têm autonomia para decidir sobre as obras que serão construídas nas cidades sedes da Copa.

Lembramos que Jean Van Den Haute, do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano, indicou que um projeto VLT foi apresentado em 1997, após estudos de viabilidade. Ele mostrou a necessidade de um transporte coletivo de grande capacidade nos eixos principais da Capital.

A alegação foi de que o sistema BRT é de média capacidade e não atenderia às necessidades da população.

Outro fator é a questão ambiental, pois a meta é combater a poluição urbana já que o VLT é limpo e com acessibilidade universal. Trata-se de um metrô suspenso que ocuparia menos espaço e teria um número bem menor de desapropriações.

Mas, o que importa é que o tipo de modal possa gerar benefícios a toda a população. Os segmentos organizados estão acompanhando desde o início esta discussão.

O trade turístico também concorda com a visão do Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Agecopa sobre o VLT. Não queremos retrocesso, queremos sim um sistema que seja um avanço e que possa revolucionar Mato Grosso.

Oiran Gutuerrez é presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur), diretor da Federação Nacional de Turismo e membro da Confederação Nacional de Turismo. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ministério notifica Agecopa sobre VLT

13/07/2011 - Diario de Cuiaba

União quer saber o que motivou a decisão do governo do Estado em escolher o modelo de transporte em detrimento do BRT, que já tinha projeto completo.

Por Humberto Frederico

O Ministério das Cidades “estranhou” a decisão do governo do Estado em escolher o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) como transporte público de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014. 

A Agência Executora das Obras da Copa do Mundo (Agecopa) foi notificada a esclarecer a escolha do VLT na próxima reunião entre ministério e Agência, que deverá ocorrer ainda neste mês. 

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, “causou surpresa e estranhamento a decisão da Agecopa em preterir o Bus Rapid Transit (BRT) em favor do VLT, tardiamente”. 

“O BRT já tinha um projeto completo, recurso garantido pela Caixa Econômica Federal e, ao mudar para o VLT, Mato Grosso vai começar do zero. Mas o ministério quer entender os motivos da mudança antes de fazer um julgamento, por isso foi pedida a justificativa”, informou a assessoria de imprensa do órgão. 

O governo federal ressaltou que os estados têm autonomia para decidir sobre as obras a serem feitas nas cidades-sedes da Copa do Mundo, apesar dos recursos serem provenientes da União, mas, se ficar comprovada a incapacidade de se realizar alguma obra, o ministério poderá decidir o que entender ser melhor para a cidade. 

A assessoria de imprensa da Agecopa informou que nenhum dos diretores se pronunciaria sobre o assunto enquanto o diretor-presidente, Éder Moraes, não voltasse de viagem. Moraes retorna a Cuiabá hoje à noite, após viajar por 10 dias com o governador Silval Barbosa (PMDB) para a Rússia e China. 

Na semana passada, o portal UOL publicou reportagem apontando o peso do lobby na escolha do VLT como modal de transporte do projeto de mobilidade urbana para Cuiabá e Várzea Grande. 

Segundo a reportagem, o estudo defendendo o VLT, feito pela empresa TTrans, de São Paulo, que fornece sistemas metroviários de energia, controle e material rodante, possui dez páginas tamanho A-4 e nenhuma referência à realidade específica de Cuiabá, metodologia de cálculos ou contexto econômico. 

Já o estudo do BRT contém centena de páginas e se aprofunda nas questões urbanísticas e econômicas da capital mato-grossense, o que foi confirmado pela assessoria do ministério. Um software de engenharia de tráfego (Transcad) foi utilizado para determinar os fluxos de transporte da cidade. 

Conforme o ministério informou, com a escolha do VLT, Cuiabá perdeu um financiamento de R$ 451 milhões da Caixa Econômica Federal para a construção de três corredores do BRT, para investir R$ 1,1 bilhão no VLT. 

Além disso, Cuiabá não precisaria de um sistema de transporte que pudesse transportar mais do que 20 mil pessoas por hora. Com o projeto de BRT sugerido à prefeitura, é possível transportar até 30 mil pessoas por hora. 

Já o VLT transporta até 40 mil pessoas por hora. As linhas de BRT somariam 33 quilômetros e teriam 32 estações, ligando o Centro da cidade ao aeroporto e ao estádio que está sendo construído. Já o VLT ainda não tem itinerário e extensão definidos. 

Diario de Cuiaba

segunda-feira, 4 de julho de 2011

VLT em Mato Grosso pode ser construído por R$ 500 milhões

04/07/2011 - So' Noticias

O Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) que foi o sistema de transporte coletivo escolhido pelo governo do Estado de Mato Grosso para atender dois ramais tronco cortando Cuiabá e Várzea Grande, de olho na Copa do Mundo de 2014 e nas obras de mobilidade urbana, pode ser feito com apenas U$S 500 milhões ou cerca de 25 milhões de dólares por quilômetro.

A Agência Executiva de Obras da Copa do Mundo do Pantanal 2014 (Agecopa) estimou os gastos para a obra executada pelo governo com 23 quilômetros de extensão em R$ 1,1 bilhão, ou seja, R$ 47,8 milhões por quilômetro. Fazendo a conversão para o dólar da última sexta-feira, U$S 1,555, as obras em reais custariam R$ 300 milhões de reais a menos.

As estimativas são do presidente da Portal Solution, Alex Chung, que representa um consórcio de indústrias coreanas que formam o Grupo Dohwa, que segundo ele está interessado e tem know-how de diversas ações que resultaram em projetos ou na instalação de VLTs, monotrilhos, metrôs ou trens em vários países do mundo. “É difícil de se falar em valores sem um projeto pronto e acabado, mas pelas dimensões, quilômetros e exigências de 2 ramais em Cuiabá acredito que U$S 500 milhões ou R$ 780 milhões seriam suficientes para a execução das obras que estão atrasadas”, disse Alex Chung.

Para o diretor-presidente da Portal Solutions, empresa que tem entre seus clientes empresas como Samsung, Hyundai, Daelim, Daewoo e a LG, entre outras, os prazos de 24 meses para execução das obras vão exigir três turnos de trabalho para que se atenda ao cronograma de 2014, sem contar as obras complementares que um sistema VLT exige, como elevadores, estações climatizadas, linhas auxiliares e outra infinidade de medidas que já deveriam ter sido tomadas.

“A falta de prazos pode pressionar os valores e aumentar os custos”, disse Chung, sinalizando que mesmo as obras se iniciando no ano que vem, as encomendas dos veículos, que são fabricados em outras empresas, já deveriam estar reservadas, pois diante da limitação no número de fornecedores que constroem esses veículos é bem provável que existam atrasos difíceis de compensar mais tarde.

Alex Chung disse que não houve tempo hábil, nem projetos concluídos que permitam ao governo de Mato Grosso escolher o VLT e sinalizou que existe um erro em se definir modais de transportes que não contemplem outros meios. “Pelo pouco de informações que temos e conhecemos de Cuiabá e Várzea Grande, já dá para saber que somente o VLT não é a solução e que as autoridades deveriam pensar em sistemas alimentadores dos ramais do VLT sob pena de se ter um transporte moderno, mas sem passageiros”, assegurou o CEO que está entre os mais respeitados do país, preocupado com custos e viabilidade nos custos das passagens que serão colocadas à disposição da sociedade que usa o atual sistema e a que também passará a utilizar o novo sistema.
Ele ponderou ainda que a grande maioria dos projetos de todo o Brasil não saíra do papel, justamente por falta de experiência e de know-how daqueles que estão se colocando à frente das decisões, ponderando que uma obra de VLT, metrô, BRT, monotrilho, deve levar em consideração o crescimento populacional, econômico e a necessidade constante de investimentos para que o sistema se torne independente e possa se custear depois de iniciada a sua operação. “O Grupo Dohwa tem 2 mil engenheiros só para projetos e planejamentos que são essenciais à alma de investimentos como o VLT ou outros sistemas de transporte. Essa questão tem que ter várias engrenagens que giram para o mesmo lado e ao mesmo tempo, e como estamos vendo tem engrenagem para frente, engrenagem para trás e engrenagem parada. Tudo caminha para o colapso”, explicou.