terça-feira, 26 de novembro de 2013

Do bondinho ao VLT, trilhos retornam a Cuiabá depois de quase um século

21/11/2013 - G1

Dias antes de seu casamento, a jovem Carmen Vilá Pitaluga, então com 22 anos, acordou cedo para preparar seu chá de panela. Era março do ano de 1914 e ela tinha de ir comprar o peixe que serviria de almoço às amigas em casa, no Bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Com seu irmão, saiu de casa, atravessou o córrego da Prainha por uma pinguela e chegou à Praça Ipiranga. De lá, pretendia chegar à região do porto. Não iria de charrete, carroça, carro ou ônibus, tampouco faria o trajeto todo a pé: Carmen fez como a maioria das pessoas na época e embarcou em um bondinho puxado por burros.

Parte pouco documentada e pouco conhecida da história local, o rudimentar transporte sobre trilhos usado por Dona Carmen - que viria a se casar com o servidor público Jaime Pitaluga - fez parte do cotidiano na capital cerca de um século antes de se falar em VLT, o novo sistema de transporte coletivo movido a eletricidade que deverá ser instalado na região metropolitana por conta da Copa de 2014. Seus primeiros vagões já estão na cidade e foram feitos para tomar, na rotina das pessoas, o lugar que pertenceu aos bondinhos de tração animal cerca de um século antes.

Planejado para interligar o centro de Cuiabá ao Porto, o antigo bondinho funcionou entre os anos de 1891 e 1918 e se locomovia puxado por burros ao longo de trilhos que se estendiam desde o Largo da Mandioca (Praça da Mandioca), passando por áreas centrais como o Beco do Candeeiro, Praça Alencastro e Praça da República, entre outras.

Do centro ao porto

"Vou à cidade", diziam os cuiabanos da afastada região portuária antes de embarcar rumo ao centro. A fala era recorrente, mas pouco restou de registros sobre este hábito. Quem conta é o neto de Dona Carmen, o historiador Paulo Pitaluga, apontando que a presença do bonde na vida urbana – mesmo que durante cerca de 30 anos – por pouco se perdeu na memória tal como os trilhos sumiram das ruas.

"Os jornais davam listas de nomes de quem desembarcava de barco aqui, mas não falavam do cotidiano da cidade. Falta muita informação. De 100%, não há nem 3% da informação que deveria existir sobre o bonde", explica o historiador.

De fato, não são muitos os documentos preservados. As fotografias da época não raro continham trechos dos trilhos, mas não em primeiro plano ou com a população a bordo. O livro "Cuiabá – Imagens da cidade" (Editora Entrelinhas) é um dos poucos com esse registro. Nele, a historiadora Maria Auxiliadora de Freitas conta que a Câmara de Cuiabá debatia o problema dos deslocamentos urbanos desde 1871, mas só em 1889 portugueses e cuiabanos formaram a Companhia Progresso Cuyabano, Ferro, Carril e Matadouro para, finalmente, consolidar as linhas de bonde puxado a burro entre as duas principais partes da cidade num prazo de dois anos.

Antes disso, não havia meios de transporte coletivo entre o centro (1° distrito) e o porto (2° distrito); a população se via diante de "desafios a serem vencidos, pois eram quase dois quilômetros a pé, a cavalo ou de carroça por ruas em pedra bruta, formadas por derrame de rochas cristalinas extraídas do rio ou vindas de Chapada dos Guimarães. Um caminho cheio de bifurcações estreitas e poeirentas", diz o livro, que também contém a fotografia que abre esta reportagem, do ano de 1891 e de autoria desconhecida. Com base nela, o arquiteto Moacyr Freitas produziu - com texto do próprio Pitaluga - uma de suas "Gravuras Cuiabanas", desenhos a bico-de-pena que hoje também ajudam a recuperar parte da história local.

O bondinho passava lentamente por vias que hoje são algumas das de tráfego mais intenso da capital, como as avenidas XV de Novembro e a própria Prainha, atualmente com o córrego oculto sob o pavimento.

A principal linha, porém, era a Rua Treze de Junho. Nos tempos iniciais da República, segundo a historiadora Elizabeth Madureira, a Treze era uma das mais movimentadas ruas da cidade - que só em 1938 passaria a ter mais de dois quilômetros quadrados de perímetro urbano.

Tecnologia uruguaia, burro brasileiro
Segundo o escritor Lenine Póvoas, os bondinhos de Cuiabá eram idênticos aos usados na capital uruguaia, Montevidéu, com a única diferença de serem movidos por tração animal. Era suficiente para um perímetro urbano pacato, mas a segunda companhia administradora do bonde queria mais velocidade e tentou substituir o esforço dos brasileiríssimos burricos pelo vapor das locomotivas. Duas delas chegaram a ser inauguradas, mas não deram certo. "A bitola estreita dos trilhos não permitia a velocidade um pouco mais desenvolvida pelas máquinas, que ora e outra se descarrilava, voltando a funcionar com parelhas de burros", conta o cronista Aníbal Alencastro.

Porém, tanto o animal quanto o bonde que ele puxava não tardariam a ser substituídos na condição de transporte coletivo em Cuiabá. Madureira conta que em 1918 o bonde foi substituído pelos primeiros automóveis e ônibus da cidade. Outra versão dá conta de que o administrador do bonde não teria suportado os prejuízos do negócio e suspendeu os serviços. Já o doutor em História Social Fernando Tadeu aponta um fim parecido ao relatado por Madureira, dizendo que em 1920 o bonde caiu num "ostracismo", perdendo espaço para os primeiros veículos motorizados.

Trilhos e progresso

De qualquer maneira, Tadeu enfatiza que os trilhos - do transporte urbano ou da frustrada interligação ferroviária com o restante do país - sempre estiveram associados à ideia de progresso no imaginário da população e devem desempenhar o mesmo papel agora, com o VLT, projeto de R$ 1,4 bilhão inicialmente alvo de polêmicas e atualmente criticado pelos atrasos constatados na obra.

"A espera dos trilhos foi despertada e alimentada a partir da segunda metade do século XIX, atravessou todo o século XX, e adentrou ao século XXI. A vontade da conquista do progresso por Cuiabá foi sempre uma forte bandeira de uma parte da sua população. Nada foi fácil para Cuiabá, que sempre enfrentou os mais diversos desafios", conta o professor.

Fonte: G1
Publicada em:: 21/11/2013

CAF testa VLT em Cuiabá

22/11/2013 - Revista Ferroviária

A CAF está realizando os testes estáticos do primeiro VLT que irá operar entre Cuiabá e Várzea Grande, no Mato Grosso. Os testes que estão sendo realizado compreendem funcionamento de portas, sistemas elétricos e de telecomunicações, entre outros. Os testes de via devem começar no início de 2014.

O primeiro VLT, com sete carros, chegou ao Brasil no final de outubro. Ele faz parte de um pacote de 40 VLTs que a CAF produzirá na Espanha. A produção foi dividida em três unidades fabris da empresa na Espanha.

Os VLTs estão sendo produzidos na Espanha para dar tempo de atender o contrato para entrega dos VLTs em dois anos. A ideia da companhia era produzir os veículos no Brasil, mas isso não foi possível por conta do prazo de entrega e das adaptações que seriam necessárias na fábrica da empresa em Hortolândia, no interior de São Paulo. Como o edital não exigia a produção nacional, os VLTs estão sendo produzidos na Espanha.

Cada VLT tem capacidade para transportar 400 passageiros. Os 40 veículos serão utilizados nos 22 quilômetros de linha férrea em dois trechos: CPA-Aeroporto e Coxipó-Centro. Ao todos serão 33 estações.

Fonte: Revista Ferroviária
Publicada em:: 22/11/2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Prefeitura de São José dos Campos (SP) cancela implantação do VLT

25/11/2013 - G1

Em coletiva, prefeito anunciou modelo para substituir o veículo sobre trilhos. Novo planejamento será feito com transporte rápido de ônibus pelas vias

Coletiva foi realizada na manhã desta segunda-feira (25)
créditos: Fábio França/G1

A Prefeitura de São José dos Campos anunciou nesta segunda-feira (24) que não vai mais implementar o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) na cidade. O projeto, que teria início em 2014, foi alterado para o modelo BRT (Bus Rapid Transit), que são os ônibus de trânsito rápido que trafegam por corredores exclusivos. Segundo a administração municipal, a mudança foi pedida ao Ministério das Cidades, que é quem vai financiar o valor da obra.

O governo alega que o orçamento de R$ 800 milhões do VLT não contemplaria a expansão para outras regiões da cidade e que o tempo estimado para pagamento da obra, 30 anos, poderia comprometer o orçamento da cidade. O novo modelo deve ter um custo menor do que o estipulado para o VLT e deve abranger ao menos quatro regiões da cidade. Segundo a prefeitura, o preço da passagem do VLT seria em torno de R$ 4,50 e com o novo projeto, a passagem deve custar o mesmo que no transporte coletivo, que atualmente é de R$ 3.

Carlinhos Almeida (PT) afirmou que o traçado de 10 quilômetros proposto no projeto do VLT deve ser mantido com o BRT. O projeto prevê que o veículo passe pelas principais avenidas do centro, como a São José e José Longo, corte a Via Dutra e chegasse ao início da Andrômeda, na zona sul. No VLT, o tempo estimado na viagem de ida e volta era de 55 minutos.

A proposta do VLT foi resultado de um estudo solicitado pela gestão Eduardo Cury (PSDB) ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto, que foi feito de forma confidencial, será divulgado na íntegra no site da prefeitura nesta terça-feira (26). Porém, só após 11 meses de mandato, a administração do PT decidiu alterar o projeto. De acordo com o secretário de transportes, Wagner Balieiro, esse período foi dedicado para a análise do conteúdo. "Estudamos muito antes de decidir pela mudança", disse.

Segundo o prefeito, o modelo BRT é mais adequado para o município devido à demanda de passageiros. De acordo com a prefeitura, o principal modelo está em execução na cidade de Bogotá, na Colômbia. A administração informou também que aguarda a resposta do Ministério das Cidades para definir datas, prazos e o valor das obras, que de acordo com o governo, deve ficar abaixo dos R$ 800 milhões do VLT.

'Estranheza'
Por meio de nota, o ex-secretário de Transportes e atual presidente do PSDB de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, diz ter visto a decisão do governo municipal com 'estranheza', já que quando a atual administração assumiu a prefeitura, em janeiro, decidiu 'por decisão e vontade própria encampar o projeto do VLT'.

Farias classificou ainda que o governo vem tratando o tema VLT 'na base do improviso e com total falta de planejamento', e que por várias vezes o prefeito e seus secretários viajaram a Brasília para tratar do assunto, com vistas a aprovação e captação de recursos para o projeto, o que gerou 'a perda de um ano entre idas e vindas que não levaram a nada'.

O ex-secretário encerra a nota afirmando que vai aguardar o modelo a ser anunciado para estudá-lo e se pronunciar sobre o assunto.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CAF testa VLT em Cuiabá

22/11/2013 - Revista Ferroviária

A CAF está realizando os testes estáticos do primeiro VLT que irá operar entre Cuiabá e Várzea Grande, no Mato Grosso.  Os testes que estão sendo realizado compreendem funcionamento de portas, sistemas elétricos e de telecomunicações, entre outros. Os testes de via devem começar no início de 2014.

O primeiro VLT, com sete carros, chegou ao Brasil no final de outubro. Ele faz parte de um pacote de 40 VLTs que a CAF produzirá na Espanha. A produção foi dividida em três unidades fabris da empresa na Espanha.

Os VLTs estão sendo produzidos na Espanha para dar tempo de atender o contrato para entrega dos VLTs em dois anos.  A ideia da companhia era produzir os veículos no Brasil, mas isso não foi possível por conta do prazo de entrega e das adaptações que seriam necessárias na fábrica da empresa em Hortolândia, no interior de São Paulo. Como o edital não exigia a produção nacional, os VLTs estão sendo produzidos na Espanha.

Cada VLT tem capacidade para transportar 400 passageiros. Os 40 veículos serão utilizados nos 22 quilômetros de linha férrea em dois trechos: CPA-Aeroporto e Coxipó-Centro. Ao todos serão 33 estações.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Governador anuncia ampliação de VLT de Cuiabá

31/10/2013 - G1

Apesar de admitir que as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá não devem ficar totalmente prontas para a Copa de 2014, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), anunciou nesta quinta-feira (31) a possibilidade de ampliação do novo sistema de transporte coletivo da cidade. O governador mencionou a chance de se obter recursos federais para estender a malha do VLT durante inauguração de uma ponte projetada para servir ao evento mundial.

O governador se referiu aos investimentos anunciados pela presidenta Dilma Rousseff (PT) no PAC Mobilidade Urbana, por meio do qual capitais como Cuiabá poderão pleitear recursos da União para aplicar em projetos de transporte de massa. São Paulo, Curitiba e Porto Alegre são exemplos de cidades que já foram beneficiadas com os recursos do programa federal. Segundo Silval, o projeto do VLT, mesmo atrasado, pode ser beneficiado com novos recursos a fundo perdido.

"Todas as grandes cidades estão congestionando e estão achando meios de urgência para fazer investimentos, para fazer transporte de massa moderno. Estão fazendo hoje, nós pensamos em 2010 e licitamos para que, quando eles começarem, estarmos entregando parte. Como deve aparecer dinheiro para ampliação de projetos, eu vou buscar", anunciou o governador.

Segundo ele, investimentos no projeto poderiam levar a malha do VLT até vias como a Avenida dos Trabalhadores ou até a bairros como o Pedra 90, um dos mais afastados do centro da cidade.

Dias atrás o governador chegou a admitir que somente um dos eixos do VLT – o que deve ligar o bairro CPA ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande (cidade da região metropolitana de Cuiabá) deverá ficar pronto para a Copa de 2014.

Atraso

Nesta quinta-feira, ele se negou a confirmar qual parte da obra de fato deverá ser executada para o evento mundial e até amenizou o prognóstico sobre o andamento dos trabalhos, afirmando que as chuvas dos próximos meses não afetarão tanto o ritmo. De qualquer modo, admitiu que um novo cronograma de obras deverá ser estabelecido junto ao consórcio vencedor da licitação de R$ 1,477 bilhão.
"Quero crer que nós vamos ter, senão tudo, uma boa parte deste projeto executado. Porque tem muitas obras que poderão ser executadas mesmo no período de chuvaradas, que são as subestações, as estações, enfim. Ela pode ficar pronta até toda porque vai ter várias frentes de serviço. Nós não vamos ficar fixos: 'Ó, vamos terminar essa'. Não, nós temos o compromisso de entregar a obra completa", declarou.

O governador alegou que a implantação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande acabou sendo prejudicada por três fatores: a "estréia" do novo modelo de licitação batizado de Regime Diferenciado de Contratação (RDC), no qual a empresa vencedora executa as obras ao mesmo tempo em que elabora o projeto executivo das mesmas; as linhas de telefonia e sistemas de saneamento afetados pelas obras; e a lentidão das desapropriações. Tudo isso, afirmou Silval, levou a "extrapolar" o prazo contratual com o Consórcio VLT, que se encerra em março do ano que vem.

No início da sequência de inaugurações de obras para a Copa, o governador inaugurou na tarde desta quinta-feira a Ponte dos Eucaliptos, sobre o Rio Coxipó, e o prolongamento da Rua dos Eucaliptos, em Cuiabá. O empreendimento interliga as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Archimedes Pereira Lima, desafogando essas duas vias. Ao todo, os projetos custaram R$ 5,6 milhões aos cofres públicos.