segunda-feira, 28 de julho de 2014

Nova data para o VLT de Cuiabá é publicada 4 meses após fim de prazo

22/07/2014 - G1

Mais de quatro meses após expirar seu prazo original de execução, as obras do metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá tiveram publicado nesta terça-feira (22) o primeiro termo aditivo ao contrato. O aditivo serve mais como formalidade, uma vez que visa apenas oficializar a nova data divulgada pelo governo do estado para o fim dos trabalhos, em dezembro deste ano, prazo do qual até o próprio governador Silval Barbosa (PMDB) já admitiu ter perdido o controle diante do atraso nos serviços. A construção foi licitada por mais de R$ 1,4 bilhão em 2012 como o mais caro projeto para a Copa do Mundo em cidades-sede brasileiras. 

A assinatura do aditivo ao contrato do VLT já era esperada desde o ano passado. Primeiramente, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) admitiu a possibilidade de não entregar a totalidade do projeto dentro do prazo e até o início da Copa do Mundo, diante do evidente ritmo moroso das obras na região metropolitana da capital. As dificuldades alegadas pela Secopa eram com a remoção de interferências (tubulações, redes de água, esgoto, energia elétrica e telefonia) e com as desapropriações necessárias. 

Depois, o governo chegou a anunciar que o novo sistema estaria ainda em fase de testes durante o evento mundial. Em seguida, o titular da Secopa, Maurício Guimarães, reconheceu a impossibilidade de o projeto ficar pronto antes de 2015. Desde a mudança de perspectivas para a obra, era aguardada a publicação de um termo aditivo ao contrato com o Consórcio VLT que oficializasse um novo prazo. 

O governo alegou em diversas ocasiões à imprensa que já havia assinado o termo, mas a publicação demorou a aparecer. Diante desse cenário, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) chegou a apontar uma insegurança jurídica em relação às obras. Segundo relatório do tribunal, os trabalhos estariam sendo conduzidos sem respaldo de um contrato. 

A publicação do aditivo só ocorreu na edição do Diário Oficial do Estado que circula nesta terça-feira (22). O extrato do termo aparece na publicação como se tivesse sido assinado no exato dia em que o prazo original da obra expirou - 13 de março deste ano. 

Procurada, a assessoria de imprensa da Secopa esclareceu que a assinatura do termo aditivo compete à secretaria, mas a publicação no Diário Oficial é responsabilidade de outro setor do governo. 

De qualquer maneira, a secretaria explicou que o governo já estuda um segundo aditivo ao contrato da obra, uma vez que se mostra impossível cumprir até mesmo o prazo oficializado agora, de dezembro deste ano.

Fonte: G1
Publicada em:: 22/07/2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Viadutos do VLT na Grande Cuiabá correm risco de fissuras, aponta TCE

07/07/2014 - G1 MT

Segundo relatório técnico, risco está nos viadutos do aeroporto e da UFMT. Secopa assegura que garantia da obra cobrirá reparos em quaisquer falhas.

Renê Dióz

Relatório técnico divulgado na última semana pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta risco de fissuras em dois viadutos do conjunto de obras para implantação do metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Grande Cuiabá. O risco foi constatado nas estruturas que sustentarão a via permanente de trilhos na avenida João Ponce de Arruda, em frente ao Aeroporto Marechal Rondon, e na avenida Fernando Corrêa da Costa, no trecho de acesso ao campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Técnicos do tribunal apontaram a inexistência de juntas de dilatação dos trilhos instalados nos dois viadutos, tanto no da UFMT quanto no que se localiza em frente ao aeroporto, em Várzea Grande, cidade da região metropolitana de Cuiabá.

As juntas são espaços propositalmente deixados entre partes da mesma estrutura a fim de que os materiais possam se movimentar ou se expandir por dilatação térmica sem comprometer a totalidade da obra. A ausência desse espaço é fator que propicia a ocorrência de fissuras na estrutura.

Segundo os técnicos do TCE, os dois viadutos possuem juntas de dilatação nas estruturas de concreto, mas os mesmos espaços inexistem nos trilhos – os quais deveriam seguir a mesma lógica das juntas de dilatação do concreto.

"Tal patologia impedirá a livre movimentação da estrutura de concreto, causando-lhe fissuras", prevê o relatório técnico do tribunal.

Como evidência desse risco, os técnicos anexaram ao relatório a imagem de uma fissura aparentemente leve, mas já visível, no concreto do viaduto do Aeroporto.

"O viaduto da UFMT encontra-se também concluído e apresentando a mesma patologia observada no viaduto do Aeroporto", complementam os técnicos no relatório.

No viaduto da UFMT, batizado de Jornalista Clóvis Roberto, a mesma falha já havia sido identificada no ano passado, antes mesmo de sua inauguração. Avaliação feita pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) apontou que as juntas de dilatação haviam sido mal executadas, de forma que já estavam provocando o aparecimento de fissuras no concreto e comprometendo a sustentação da estrutura elevada.

Além disso, o Crea confirmou problemas que comprometiam a vazão de água da chuva e de acabamento da obra, já evidentes a olho nu. Neste aspecto, as principais falhas estariam na passarela para pedestres. Em dezembro, antes de inaugurar a obra, o Consórcio VLT, responsável pela execução, informou que estava corrigindo as falhas.

Em resposta, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) informou que todo e qualquer defeito constatado na execução do projeto do VLT será corrigido graças a uma garantia vigente sobre a obra.

Fonte: Do G1 MT 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Secopa retoma obras de mobilidade

02/07/2014 - Diário de Cuiabá

JOANICE DE DEUS

Com o fim dos jogos da Copa do Mundo na Arena Pantanal, a Secretaria Extraordinária para a Copa (Secopa) retoma as obras que foram suspensas para garantir fluidez no trânsito e mobilidade aos turistas que visitaram Cuiabá e Várzea Grande durante o Mundial e que se encontram ao longo das denominadas rotas protocolares ou do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). 

Compõem essas rotas, as avenidas João Ponce de Arruda, da FEB, em Várzea grande, e Tenente Coronel Duarte (Prainha), 15 de Novembro e Historiador Rubens de Mendonça (CPA), na capital. "As obras do VLT não pararam. Suspendemos os trabalhos nas rotas protocolares por esse período, mas já estão sendo retomados", garantiu o assessor de Mobilidade Urbana da Secopa, Josemar Araújo Sobrinho. 

Para hoje, segundo ele, estão previstas mudanças no trânsito no Viaduto da MT-040, obra de arte que compõe o pacote para implantação do VLT. O elevado está localizado no entroncamento da Avenida Fernando Corrêa com a Rodovia Palmiro Paes de Barros (MT-040). "Amanhã (hoje) será feito remanejamento do trânsito para que possamos avançar na obra da rotatória e nas marginais", informou. 

Em fevereiro deste ano, os motoristas que trafegam pela região tiveram o trânsito liberado na parte superior do elevado de aproximadamente 445 metros de extensão. Com este nova frente de trabalho, a previsão é que a obra seja concluída até o fim deste mês. Porém, a Secopa ainda depende da desapropriação de parte de uma área pertencente a um estabelecimento comercial localizado nas imediações para a realização de serviços de drenagem no local. 

Nos próximos dias também estão previstas interdições nos dois sentidos da Avenida do CPA para o andamento da construção da trincheira Luiz Felipe. Para isso, conforme Sobrinho, é feito o recapeamento das ruas Luiz Felipe e Trigo de Loureiro para que possam suportar o fluxo intenso de veículos que passam diariamente pela região do CPA. 

Em breve, os motoristas que passam pela Rua Tancredo Neves, próximo ao viaduto da UFMT, também deverão redobrar a atenção. Parte da Tancredo Neves passará por estreitamento da pista para a construção da estação de tratamento de esgoto (ETE), que antes ficava atrás do Shopping Três Américas. 

Já ontem, a Secopa interditou a Avenida Archimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho), nos dois sentidos, para a retomada das obras de duplicação e restauração da via. O bloqueio é necessário para o içamento das vigas pré-moldadas de concreto na ponte em construção sobre o Córrego do Moinho

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Para TCE, VLT no MT não ficará pronto até final do ano

01/07/2014 - G1 MT

Obra mais cara licitada no país para a Copa do Mundo, o metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Grande Cuiabá não tem condições de ser concluído até 31 de dezembro deste ano, prazo que tem sido divulgado pelo governo de Mato Grosso após o fracasso na execução das obras para atender à mobilidade urbana durante o Mundial. A crítica é do Tribunal de Contas do Estado (TCE), segundo o qual o prazo anunciado pela Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) é simplesmente irreal e inexequível.

"A data de conclusão do contrato do VLT, informada pela Secopa, é impossível de se concretizar e tecnicamente inexequível. É fruto de um desejo e não de técnicas adequadas de engenharia e gerência de projeto", apontou trecho do último relatório de acompanhamento das obras divulgado nesta terça-feira (1° de julho) pelo conselheiro substituto João Batista Camargo, que completou: "A data é impossível de se concretizar, como qualquer cidadão sabe".

Conforme o acompanhamento do TCE, as obras de implantação do metrô de superfície, licitado por R$ 1,477 bilhão pelo governo do estado, precisariam de cerca de um ano a mais para a conclusão total. Isso porque, até o dia 30 de abril deste ano, medição da Secopa apontou que pouco mais de R$ 967 milhões já haviam sido faturados, 65,45% do valor total – percentual que aponta um avanço médio de 3,11% das obras por mês. Se o ritmo de andamento fosse mantido, somente a partir de agosto de 2015 a obra toda estaria conclusa.

'Jogo de cronograma'

Mas os números da medição são vistos com ceticismo pelo TCE, que apontou indícios de "jogo de cronograma" na construção do VLT.

O que sugere a manobra é o valor referente à aquisição do material rodante do metrô de superfície, como os trilhos e os vagões do trem a serem instalados.

Esses itens somam uma despesa de mais de R$ 497 milhões dentro do projeto, cerca de um terço do valor total do VLT. Como mais de 95% do material rodante já foram importados e entregues, automaticamente o percentual de avanço global das obras de implantação do VLT acaba sendo elevado.

Entretanto, o TCE lembrou que o material rodante era orçado em pouco mais de R$ 410 milhões pela própria Secopa antes da licitação, mas acabou sendo oferecido em contrato pelo consórcio vencedor por um valor 21,3% maior.

Com o sobrepreço e a aquisição precoce do material rodante (antes mesmo de a via permanente do VLT ficar pronta), houve um avanço artificial das obras nas medições feitas pela Secopa, segundo o TCE.

Caso o cálculo de avanço do projeto fosse feito sem considerar o material rodante, o percentual de conclusão global da obra não chegaria a 20%.

Vagões obsoletos

E, justamente por conta da aquisição precoce do material rodante, o relatório do TCE demonstra preocupação do tribunal com o obsoletismo dos vagões. Do total de 40 composições, 36 foram entregues até o momento.

Até que o sistema todo possa ser operacionalizado, deverão continuar sob sol e chuva armazenados no Centro de Controle e Operações (CCO), espaço ao lado do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, cidade da região metropolitana. O TCE apontou que os vagões poderiam ter sido adquiridos em período próximo ao fim das obras da via permanente e de instalação dos trilhos, para que entrassem em operação com tecnologia mais atualizada.

Obra sem contrato

Outro ponto criticado pelo TCE é a atual ausência de suporte jurídico às obras do VLT. O contrato original celebrado pela Secopa com o Consórcio VLT (que congrega as empresas CAF Brasil, CR Almeida, Astep Engenharia e Santa Bárbara Construções) previa finalização dos trabalhos até março deste ano, mas, mesmo antes do fim, a Secopa já falava em extensão deste prazo até 31 de dezembro deste ano – data em que a própria secretaria deveria ser extinta, conforme lei complementar.

Entretanto, jamais foi publicado no Diário Oficial do Estado o devido termo aditivo que estenderia o prazo de vigência do contrato, termo que também não foi remetido ao TCE. Desta forma, para o tribunal, a obra está sendo administrada sem qualquer controle por parte da Secopa e sem qualquer amparo jurídico que sustente, inclusive, o prazo divulgado pelo governo para a execução dos trabalhos.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secopa informou que o titular da pasta, Maurício Guimarães, não se encontrava em Cuiabá nesta terça-feira e que, por isso, a secretaria só se pronunciaria sobre o relatório do TCE a partir desta quarta-feira.