quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Governo do MT não descarta reajuste de valor para conclusão do VLT

21/01/2015 - MT Agora

Obra custa R$ 1,7 bilhão e segue paralisada por determinação do governador Pedro Taques (PDT)

Obras estão sem prazo definido
Obras estão sem prazo definido
créditos: Luiz Alves/Secom-Cuiabá
 
O secretário de Estado do Gabinete Estratégico, Gustavo Oliveira, não descarta ter de realizar novos ajustes financeiros para concluir o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá. A obra foi orçada em R$ 1,7 bilhão, mas segue paralisada desde o ano passado, ocasião em que o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, executor da obra, suspendeu os trabalhos por falta de pagamento.
 
De acordo com o secretário, não há estimativa para o quanto ainda será gasto com o modal, visto que ainda não foi finalizado o novo cronograma físico-financeiro da obra. "Não temos prazo, nem preço estimado. Diversos ajustes foram feitos, algumas etapas da obra foram suprimidas, outras foram adicionadas. Precisamos entender esses detalhes e faremos isso rapidamente", afirmou.
 
Nesta semana, o secretário e os engenheiros do consórcio se reuniram a fim de alinhar e definir quais os serviços a serem executados ainda neste ano. Não foi sinalizado um prazo para o término da obra. Apesar de especulações de que a obra teria sido abandonada pelo Consórcio VLT, o secretário garante que está sendo planejada uma nova forma de reiniciar as obras sem prejudicar tanto a população.
 
"Muito pelo contrário, ele [o consórcio] manifesta interesse em continuar com a obra; vamos repactuar o cronograma e fazer uma nova lógica de obra que afete menos o cidadão e que possibilite a obra andar de forma mais rápida. Eles estão fazendo trabalhos de escritório, de revisão de projetos que estavam programados para esse período", disse.
 
A obra está sendo executada desde 2012 e deveria ficar pronta para a Copa do Mundo, em junho do ano passado; contudo, não conseguiu sequer ser concluída em seu primeiro trecho, em Várzea Grande. Empresários, especialmente, na região da Avenida da FEB, seguem reclamando da demora em concluir o modal e das perdas que amargam por causa da morosidade da obra.

Parte do Eixo 1 do VLT (Aeroporto-CPA), na Avenida da FEB, em Várzea Grande, é possível encontrar diversos canteiros de obras e alguns desvios que impedem o acesso da população a determinadas ruas. A maioria diz respeito à obra das oito estações do modal previstas que já deveriam ter diso concluídas. Destas, apenas uma foi finalizada e está localizada em frente ao Aeroporto Marechal Rondon. Outra obra finalizada, mas não entregue ao Estado, é a trincheira do KM Zero. A obra já está liberada para o trânsito e foi a primeira construção iniciada, em outubro de 2013, pelo Consórcio VLT. Contudo, ainda não apresenta todos os serviços – como sinalização e paisagismo – concluídos.
 
Prainha 
Já em Cuiabá, na Avenida Tenente Coronel Duarte, conhecida como Prainha, a obra começou em ritmo acelerado, mas, depois de desfigurar praticamente todo o canteiro da avenida, os serviços foram suspensos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No final de 2013, o Iphan identificou vestígios arqueológicos no Centro Histórico de Cuiabá e a área foi minuciosamente estudada por equipes de engenharia civil (projetista e de produção) e ambiental.
 
Desde então, o órgão não deu aval à continuidade da obra. O mesmo ocorre nas proximidades do Morro da Luz. No local, nenhuma obra foi iniciada, visto que o consórcio não apresentou oficialmente o projeto que será executado no local. A previsão é de que nas proximidades do Morro seja edificada uma subestação para energização dos trens.
 
Já no local conhecido como "Ilha da Banana" deve ser construída a Praça Largo do Rosário, que será integrada ao terminal de embarque e desembarque do Eixo 2 do modal (Centro-Coxipó). No entanto, nem a desapropriação do local foi iniciada, visto que a situação foi parar na Justiça, pois proprietários de terrenos alegam que o local é tombado como patrimônio cultural e, por isso, não pode passar por reformas. O impasse já dura mais de um ano.
 
Avenida do CPA
Na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), rambém na Capital, a situação não é tão diferente. Na via, estão previstas três obras: a "trincheirinha" Trigo de Loureiro, próxima à rua de mesmo nome, a trincheira da Rua Luis Felipe, além das correções do viaduto da Sefaz. A trincheira Trigo de Loureiro deverá ter 40 metros de comprimento, sob a Avenida Miguel Sutil, permitindo o acesso ao bairro Araés e à Avenida do CPA.
 
Estacas que receberão as vigas de coroamento e as lajes para construção do túnel chegaram a ser implantadas, mas a obra não avançou. Apenas serviços necessários para o alargamento das pistas do viaduto foram iniciados, mas a implantação das três faixas de rolamento no viaduto sob a Avenida do CPA também não saiu do papel.
 
Já a trincheira Luis Felipe está prevista para ser entregue com 340 metros de extensão e o VLT deverá trafegar pela parte de baixo; acima, haverá uma rotatória para acesso às regiões dos bairros Terra Nova e Alvorada - no caso desse último, por onde o motorista poderá seguir em direção ao terminal rodoviário da cidade.
 
No entanto, a obra no local não chegou nem perto de ganhar forma. Os carros que passam pela região encontram apenas tapumes, blocos de concreto (os famosos "gelos baianos") para impedir o acesso de pessoas e veículos no local e muita lama. Ambas as obras são necessárias porque, assim que o VLT estiver em funcionamento, serão extintos os retornos existentes no canteiro central, na altura do viaduto da Miguel Sutil sobre a avenida do CPA.
 
Ainda na Avenida do CPA, encontra-se o viaduto da Sefaz, interditado em agosto do ano passado, após serem detectadas fissuras e rachaduras na obra. A previsão agora é de que o elevado seja liberado somente em abril, visto que a obra deve passar por diversas correções que exigem acréscimo de concreto e aço em blocos de fundação e reforço na armadura longitudinal do elevado. "Estão trabalhando no reforço estrutural do Viaduto da Sefaz que apresentou problemas estruturais e não haverá prejuízo de continuidade da obra", disse o secretário Gustavo Oliveira, nesta semana.
 
O viaduto foi elaborado para solucionar o tráfego na região do Centro Político Administrativo, visto que o VLT passará por baixo do elevado naquela região. Para piorar a situação nesta avenida, todo o canteiro central está repleto de sacos de areia que visam a impedir que terra da obra que está paralisada se espalhe pela avenida em dias de chuva, ocasião em que se formam verdadeiros espelhos de lama.
 
Na Avenida Fernando Corrêa, onde será implantado o Eixo 2 do VLT, a situação não está muito diferente. Apesar de poucas intervenções, como estátuas e árvores terem sido retiradas do canteiro central, os moradores sofrem com os problemas ocasionados por obras mal executadas. O viaduto da UFMT é um exemplo. A obra foi edificada para possibilitar a passagem do VLT, integrado à livre circulação de veículos.
 
O viaduto foi inaugurado, o trânsito foi liberado e até trilhos foram instalados no local. No entanto, rachaduras, fissuras e buracos nas juntas de dilatação foram constatados no elevado. Além disso, a obra também não possui sistema de drenagem. Por isso, a cada chuva, as proximidades do elevado alagam e a situação piora com o transbordamento do Córrego do Barbado, que também não possui projeto de limpeza e revitalização. "A única solução possível é um projeto de drenagem integrado para toda a região, daquele volume de água que hoje se acumula embaixo do viaduto da UFMT. Se ele for inteiro jogado para dentro do Córrego do Barbado, vai alagar uma área ainda maior", avaliou Oliveira.
 
"Precisamos de um novo projeto de drenagem, que compreenda toda a região, para que possa ser solucionado de maneira definitiva, não adianta jogar o problema pra frente. Tirar o alagamento dali é muito fácil, o que nós precisamos é que não alague mais em lugar nenhum", concluiu o secretário.
 
Outra obra construída para possibilitar a passagem do VLT é o viaduto da MT-040. O elevado não foi oficialmente concluído, mas os trilhos do modal que estavam sobre o viaduto para serem implantados tiveram de ser retirados. Isso porque houve a suspeita de que o material estava sendo visado por ladrões.
 
Suspensão do contrato
 
Apesar de todas as necessárias continuidades da obra de implantação do VLT, as construções permanecem suspensas pelo período de 90 dias, conforme determinação do governador Pedro Taques (PDT). "Precisamos ser claros com a sociedade sobre quando essas obras ficarão prontas, quando podem terminar e a que custo", disse Oliveira.
 
VLT
 
O projeto do VLT está orçado em R$ 1,477 bilhão ao Governo do Estado, sendo que, desse total, pelo menos R$ 896 milhões já foram destinados à aquisição do material rodante, como os trilhos e os carros. Ao todo, serão instalados 22,2 km de trilhos nos dois eixos, por onde devem circular os 40 carros do VLT – formados por sete vagões cada um.
 
Além dos trilhos e implantação do modal, o projeto prevê a execução de estações e terminais, bem como de obras de arte (pontes, trincheiras e viadutos) ao longo dos dois eixos.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Secretário avisa que obras do VLT devem ser retomadas apenas em abril e contratos estão suspensos

18/01/2015 - Olhar Direto



As obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) devem ser retomadas apenas no fim de março ou começo de abril deste ano. A informação foi repassa pelo secretário de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira, na tarde da última quinta-feira (15). Todos os contratos firmados pela Secopa (Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo) encontram-se suspensos, incluindo o do novo modal.

O secretário afirmou que o pedido de suspensão do contrato partiu do Consórcio VLT, que não recebia os pagamentos há mais de 90 dias: "Eles pediram a suspensão do contrato e a Secopa acatou o pedido. Eles ficaram mais de 90 dias sem receber e está previsto em contrato que neste cenário, as obras podem ser suspensas".

Porém, Gustavo fez questão de reiterar que o contrato com o Consórcio não foi rescindido: "Suspensão não é encerramento de contrato. Tecnicamente neste momento, por conta das chuvas, não é prático retomar estas obras. O desejo do Consórcio é de retomar as obras no fim de março ou abril. Por óbvia responsabilidade da construtora, a única obra em andamento é no viaduto da Sefaz".

A situação do viaduto da UFMT (Jornalista Clóvis Roberto) também foi explicada: "A única solução possível é um projeto de drenagem integrado para toda a região. Aquele volume de água que hoje se acumula no local, se for inteiro jogado para o córrego do Barbado, vai alagar uma área ainda maior. Então, nós precisamos de um novo projeto de drenagem que compreenda toda a região, para que isso possa ser solucionado de maneira definitiva", explicou o secretário.


"O Consórcio irá cooperar conosco na elaboração deste projeto e em até 30 dias devemos ter um projeto definitivo da drenagem de toda a região", acrescentou Gustavo. Ele ainda disse que "nenhuma delas (obras) tem risco iminente de queda ou desastre. O que nos preocupa mais são os alagamentos nos pontos do VLT e as obras de reforço estrutural no viaduto da Sefaz, mas repito, nenhuma tem risco imediato de desabamento".

Por fim, Gustavo ainda explanou sobre a situação da Secopa: "Juridicamente a Secopa não acaba enquanto não se extinguirem suas tarefas, ou outra secretaria as assumir. É isto que estamos fazendo aqui, identificando que secretarias podem assumir cada uma das obras. A Secretaria de Cidades deverá assumir a maior parte delas, preliminarmente, para que a Secopa seja extinta".


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Obras atrasadas da Copa em Cuiabá passarão por auditoria, diz secretário

06/01/2015 - G1 MT

Gustavo Oliveira, do gabinete de Projetos Estratégicos, anunciou medida. Temos 22 obras, cada uma com um problema específico, afirmou Oliveira.

Renê Dióz

Todas as 22 obras atrasadas da Copa do Mundo que continuam em andamento ou paradas na região metropolitana de Cuiabá serão submetidas a auditorias que deverão averiguar se os atrasos e falhas foram provocados por algum tipo de irregularidade e que também deverão apontar como dar continuidade aos trabalhos. O anúncio é do novo secretário extraordinário do gabinete de Projetos Estratégicos, o engenheiro Gustavo Oliveira, designado pelo governador Pedro Taques (PDT) para "liquidar" a já extinta Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) e assegurar que os projetos iniciados sejam concluídos sem mais prejuízos.

Criado por Taques com uma estrutura reduzida, o novo gabinete de Projetos Estratégicos tem entre suas principais atribuições dar a devida destinação a toda a estrutura da Secopa e terminar o volume de trabalho que não se encerrou com o fim do mandato de Silval Barbosa (PMDB), durante o qual todas as obras da Copa sofreram atrasos – segundo admitiu o ex-titular da Secopa, Maurício Guimarães.

Devido ao atraso generalizado e à constatação de falhas de projetos e de execução em construções contratadas pela Secopa, ainda durante o período de transição Oliveira anunciou que todas as obras serão submetidas a uma extensa e profunda auditoria.

"A princípio, temos ainda 22 obras em andamento. Temos obras de mobilidade, obras de travessia urbana (como é o caso do Tijucal), temos os dois COTs [Centros Oficiais de Treinamento], o entorno da Arena Pantanal, que ainda não está concluído. Então, temos 22 obras, cada uma com um problema específico, uma tratativa específica", resumiu Oliveira.

VLT
Segundo ele, a Secopa também deixou pendentes cerca de 300 processos de desapropriação essenciais para o término das obras do metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Ainda não há um valor consolidado, mas Oliveira chegou a falar numa estimativa de R$ 100 milhões em custos totais para as desapropriações pendentes. O cálculo pode ser revisto posteriormente.

Licitada por mais de R$ 1,4 bilhão, o VLT é a obra mais cara já contratada pelo governo do estado e deveria ter sido entregue em março de 2014, mas atrasou e, atualmente, não há previsão de término.

À época em que o VLT foi escolhido para substituir o Bus Rapid Transit (BRT) como modal de transporte a ser implantado na Grande Cuiabá para a mobilidade urbana durante a Copa do Mundo, o então senador Pedro Taques foi crítico da mudança de modelo. No governo federal, houve indício de fraudes na homologação do modelo do VLT em substituição ao BRT por parte do Ministério das Cidades, episódio que acabou provocando a exoneração de um chefe de gabinete do ministério.

Agora, Taques assume o governo tendo que concluir a obra que criticou sob risco de que ela cause ainda mais prejuízos.

Sobre isso, Taques já declarou que não adianta "chorar sobre o leite derramado" e que o governo buscará alternativas para concluir os trabalhos abandonados o mais rápido possível sem mais prejuízos à população e, caso necessário, responsabilizando quem eventualmente tenha cometido irregularidades no contrato ou na execução do projeto.

Retomada das obras
"Nós precisamos sentar com o consórcio construtor, entender qual é o cronograma de trabalho possível e discutir isso abertamente com a sociedade – o custo para terminar a obra, o prazo, como vai ser feito. Porque hoje é uma grande incógnita, ninguém sabe o prazo de execução e como essa obra vai andar", afirmou o novo secretário Gustavo Oliveira.

À frente do gabinete de Projetos Estratégicos, ligado à Governadoria, Oliveira deverá planejar a transição da estrutura, das ações e dos cargos da antiga Secopa para a tutela, no futuro, por parte da Secretaria de Cidades, do arquiteto Eduardo Chiletto. A idéia é que seja criada uma superintendência dentro da secretaria para tratar dos trabalhos pendentes da Secopa.

Enquanto essa transição não se consolida, ficará a cargo de Oliveira estudar alternativas para a retomada das obras, o estabelecimento de novos cronogramas e soluções para a operação do VLT e a concessão do estádio Arena Pantanal – cuja estrutura também vem sofrendo com o abandono. "Meu primeiro trabalho é entender o contexto e oferecer alternativas", resumiu o novo secretário.

Viadutos
Oliveira também deverá buscar soluções para problemas mais pontuais não resolvidos pela Secopa, como os alagamentos frequentes na região do viaduto do VLT na Avenida Fernando Corrêa, na entrada do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o reforço estrutural do "viaduto da Sefaz" - obra também integrante do projeto do VLT, localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA) perto da sede da Secretaria de estado de Fazenda (Sefaz).

"É óbvio que há um problema de drenagem. Nós vamos discutir algumas alternativas para a solução do problema de drenagem. Nem a equipe do VLT, nem a prefeitura de Cuiabá, nem o cidadão querem que aquele ponto alague, isso é danoso para todo mundo", afirmou Oliveira sobre o viaduto da UFMT, para depois ponderar: "atribuir aquele problema de alagamento só à obra do VLT me parece uma conclusão precipitada. Nós temos que entender todo o contexto de drenagem da região e oferecer uma solução que resolva tudo".

Já sobre o viaduto da Sefaz, ele afirmou que recebeu da equipe do Consórcio VLT (responsável pelas obras) a previsão de término dos trabalhos de reforço estrutural em abril. Em 2014, o elevado foi declarado inseguro para tráfego de veículos depois que, com atraso, já tinha sido liberado para uso. Por conta da constatação, a Secopa voltou a interditar a estrutura e anunciou que o Consórcio VLT faria uma obra de reforço do viaduto.

Fonte: Do G1 MT