quarta-feira, 11 de março de 2015

VLT, por uma questão de bom senso

11/03/2015 - A Gazeta - MT

EDITORIAL

Não se discute o dever do atual governo de auditar contratos, apurar irregularidades e de denunciar eventuais crimes que possam ter sido cometidos no governo passado. Não é apenas um dever, mas um compromisso público assumido com a sociedade mato-grossense durante o processo eleitoral de 2014. Também é inquestionável a legitimidade da Assembleia Legislativa instalar uma CPI para investigar eventuais irregularidades relacionadas às obras da Copa. O que se questiona é a indefinição do novo governo em relação às obras e, especialmente em relação ao VLT.

A discussão sobre uma eventual mudança do modal de transporte público da Capital, abandonando o VLT para adotar o BRT não apenas é intempestiva como um atentado ao bom senso. O governo pode até reduzir a extensão do VLT por razões financeiras, mas não pode pretender, depois de um investimento já quitado na ordem de R$ 1,060 bilhão, aventar a possibilidade de optar pelo BRT.

Cuiabá merece respeito. A população cuiabana, que sofre há 2 anos e 8 meses com um trânsito conturbado, desvios, desapropriações disputadas na Justiça, congestionamentos, obras inacabadas e sem a qualidade exigida, enfim, transtornos de toda ordem, não pode, de uma hora para outra, ver o sonho de um transporte público moderno e eficiente, acalentado durante todo esse tempo, se esvair numa interminável discussão sobre VLT ou BRT.

O governador Pedro Taques se elegeu com o discurso da moralidade pública, do combate à corrupção. Mas se elegeu, também, defendendo a conclusão das obras do VLT. E já passa da hora do governo ir além dos estudos, análises e discursos. É preciso ações práticas no sentido de retomar todas as obras paralisadas, de corrigir todas as falhas encontradas naquilo que já foi construído, de renegociar o que precisar ser renegociado. Já passa da hora do governo retomar as obras.

No caso do VLT, consideremos que um terço das obras físicas estejam prontas. Sim, um terço porque é o que as pessoas veem. Outras que a população não enxerga é que enquanto as obras estão em andamento outras providências foram tomadas. São sistemas de telecomunicação e tráfego, sinalização férrea e outras tecnologias do modal foram pedidas e confeccionadas pelos fabricantes, sendo boa parte já entregue ao Consórcio VLT. Materiais que aguardam o avanço da parte civil para serem devidamente instalados. Sem contar os trens que já estão no pátio e que, por mais que há quem diga que é possível vender, um VLT não é um carro popular.

Ademais, esse VLT foi confeccionado para o projeto de Cuiabá. Dificilmente outro governo, em qualquer parte do mundo, se interessaria em adquiri-lo. Seria jogar dinheiro fora. Só pra se ter uma ideia, o ar condicionado instalado no trem cuiabano é diferenciado, foi fabricado especialmente para atender a temperatura média da capital mato-grossense. Mesmo faltando dois terços de obras -físicas - essa quantidade é menor do que começar uma obra do zero.

Para a implantação do Bus Rapid Transit (BRT), que é o que insanamente se cogita, seriam necessários novos projetos, desapropriações em maior área, nova contratação de crédito, nova licitação para a empresa construtora. Sem falar na operação, que assim como a do VLT ainda não está definida, seria preciso abrir concorrência para a operação do transporte com ônibus. E o que já foi feito? Vai simplesmente enterrar tudo? Jogar terra em cima de R$ 1,060 bilhão em investimentos, em empréstimos?

O que mais interessa nesse momento é a população. Como ficam os cerca de 800 mil moradores de Cuiabá e Várzea Grande que anseiam por um modal de transporte avançado como é o VLT? Traída? Frustrada? Desmotivada? Descrente? Indefesa? Cuiabá e sua gente merecem respeito.

Interesses particulares por trás das manifestações pró e contra VLT não vêm ao caso. O que é preciso lembrar é que já foram investidos 72% dos recursos destinados à implantação do VLT e não é possível voltar atrás, mesmo exigindo a complementação desse orçamento. Seria um retrocesso. Seria andar para trás.

Enquete realizada pelo jornal A Gazeta com seus leitores indica que 95% são contra a mudança de modal. Em outra enquete no Gazeta Digital, cuja apuração é parcial, 64% são favoráveis à concessão da construção à iniciativa privada.

É evidente que as investigações e punição dos responsáveis pelas possíveis ações criminosas envolvendo a implantação do modal devem continuar. Os culpados punidos de forma exemplar. Mas não se pode parar no tempo, nem perder mais tempo. O VLT é um modal moderno, sem conflito com o tráfego geral, com prioridade semafórica, não poluente, silencioso, confortável, seguro, com total acessibilidade. Trouxe para a cidade obras de mobilidade urbana como trincheiras e viadutos que, embora inacabados, deram outro perfil à cidade.

Obra parada é dinheiro parado!, já dizia o governador eleito. Todos os esforços para a retomada e conclusão do VLT devem ser somados. População, parlamentares, empresários, consórcio construtor. Cuiabá e Várzea Grande precisam ter um transporte público digno. O governo está fazendo uma das obrigações dele, que é revisar o estudo da tarifa. Mas isso não deve ser motivo para paralisar as obras. Aliado a isso, ao contrário, precisa se empenhar e fazer andar esse trem, e andar para frente, mesmo que as cabines sejam bidirecionais.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Alstom produzirá VLTs do Rio e Goiânia em Taubaté

04/03/2015 - Revista Ferroviária

A Alstom inaugurou nesta terça-feira (03/03), em Taubaté (SP), sua primeira fábrica de VLTs na América Latina. A unidade foi construída em oito meses e meio para atender o contrato com o consórcio VLT Carioca. Dos 32 trens que a Alstom fornecerá para circular na região Central do Rio de Janeiro, no projeto Porto Maravilha, 27 serão produzidos em Taubaté. Para atender o prazo, os cinco primeiros VLTs estão sendo fabricados na França.

A linha de produção já está toda estruturada para iniciar a produção dos VLTs e o primeiro carro deve ficar pronto até julho deste ano.  A fábrica tem cerca de 16 mil metros quadrados e é capaz de produzir de 7 a 8 trens por mês. Foram investidos cerca de R$ 50 milhões na nova unidade – a terceira fábrica de trens da Alstom no Brasil. A empresa tem unidades na Lapa, em São Paulo, e em Deodoro, no Rio de Janeiro.

A inauguração da fábrica contou com a presença de autoridades, convidados, representantes da Alstom e do presidente mundial da Alstom Transport, Henri Poupart Lafarge.  O presidente mundial da Alstom Transport fez um discurso e citou o impacto da implantação do VLT nas cidades. "A vantagem do sistema é repensar o planejamento para as cidades. É uma solução completa que transforma a cidade onde estamos implantando essa solução", disse Lafarge.

"Temos uma expectativa muito grande que esse mercado vá crescer", declarou o presidente da Alstom no Brasil, Marcos Costa, ao falar sobre o mercado de VLTs.  Em seu discurso, Costa destacou que "é muito mais que transporte, é uma mudança na qualidade de vida".

"Mais do que um modelo de transporte, o Veículo Leve sobre Trilhos redesenha as cidades e oferece à população uma mobilidade sustentável, confortável e acessível. Esse sistema já foi adotado por um grande número de cidades em todo o mundo nas últimas décadas", disse Michel Boccaccio, vice-presidente sênior da Alstom Transport na América Latina.

Boccaccio explicou que o primeiro trem para o Rio de Janeiro sairá da França em abril e chegará ao Rio em junho.

VLT Goiânia

A Odebrecht foi a vencedora da licitação do VLT de Goiânia (GO), cujo contrato já está assinado com o governo, e a Alstom tem um acordo de exclusividade com a empresa para o fornecimento dos VLTs.  Segundo Boccaccio, o contrato está quase pronto e o que está faltando é o fechamento do financiamento. Assim que for concluída essa etapa, será iniciada a produção dos VLTs.

Os 30 VLTs, totalizando 60 carros, serão todos produzidos em Taubaté. Os trens serão com dois carros acoplados, sem passagem livre. "Achamos que Goiânia é uma referência de projeto. É um projeto em PPP, privado, e já estamos trabalhando em um prazo muito curto para colocar em dois anos 20 VLTs em operação. Para atender isso, já começamos os estudos antecipadamente", disse Boccaccio. 

AL propõe plebiscito para definir modal em Cuiabá

04/03/2015 - Diário de Cuiabá

Com nove assinaturas foi apresentado, pelo deputado Emanuel Pinheiro (PR), um requerimento para realização de consulta plebiscitária que traga para a discussão do modal de transporte de massa em Cuiabá e Várzea Grande a opinião popular, que segundo ele, é a maior beneficiária e a que menos foi ouvida. O plebiscito perguntaria se a população quer a manutenção do VLT ou o retorno do BRT, modal primeiramente pensado para a Grande Cuiabá.

Hoje as obras do VLT são alvo de críticas por parte de técnicos do Governo do Estado e entre os deputados que ameaçam com a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar se houve irregularidades ou não nas obras já executadas e que teriam apresentado uma série de problemas.

Mesmo não sendo unânime o pedido do parlamentar republicano, por já ter nove assinaturas foi acolhido pela Mesa Diretora e será encaminhado a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) para parecer quanto a sua constitucionalidade e legalidade e depois será apreciado pelo Plenário das Deliberações.

Caso aprovado, o presidente da Assembleia, Guilherme Maluf (PSDB) oficializa ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso que terá um prazo de 90 dias para a realização da consulta plebiscitária que abrangerá uma população estimada da ordem de 600 mil habitantes.

O deputado Pedro Satélite (PSD) alertou que a proposta é inócua, pois agora não se tem mais como retroceder em todas as obras e aquisições já realizadas, sejam em relação aos veículos, trilhos, as fibras óticas e equipamentos de informatização, além de parte das obras físicas.

O autor do requerimento - que contou com as assinaturas dos também deputados Mauro Savi (PR), Romoaldo Júnior (PMDB), Zeca Viana (PDT), José Domingos (PSD), Peri Taborelli e Wancley Carvalho, ambos do PV, Leonardo Albuquerque (PDT) e Dilmar Dal'Bosco (DEM) - ponderou que o único questionamento é se a população quer a manutenção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou opte pelo BRT (Bus Rapid Transit), ônibus de trânsito rápido com vias de acesso exclusivas.

"Minha intenção é trazer o maior interessado para a discussão e principalmente para deixar claro que podemos encontrar soluções, não apenas quanto às obras, mas também em relação à questão das planilhas de custo e como efetivamente vai funcionar o sistema de transporte público de massa", disse Emanuel Pinheiro.

O parlamentar lembrou que um relatório feito pelo Governo do Estado por determinação do governador Pedro Taques (PDT) deixou claro que é oportuna a discussão para que o maior beneficiário, que é a população, participe e tenha a palavra final quanto ao sistema a ser colocado em prática.

"O Governo colocou que existem dúvidas de qual é a melhor opção para se resolver o problema do transporte coletivo de massa da maior região metropolitana de Mato Grosso", frisou Emanuel Pinheiro, convicto de que é possível com responsabilidade encontrar o melhor caminho para a obra que já consumiu R$ 1 bilhão e que vem demandando mais recursos públicos que podem impactar no preço final das passagens a serem ofertadas a população usuária do transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande.

terça-feira, 3 de março de 2015

Alstom enfrenta desafio de expandir VLT

03/03/2015 - Valor Econômico

A francesa Alstom vai enfrentar o desafio de manter sua nova fábrica de veículos leves sobre trilho (VLT) operando após a entrega das primeiras encomendas para o Rio de Janeiro. A modalidade de transporte não é uma das mais utilizadas no país e poucos projetos realmente saíram do papel. A fábrica, que será oficialmente inaugurada hoje, foi construída em Taubaté (SP) e recebeu investimentos de R$ 50 milhões.

Confiante na demanda brasileira pelos VLTs no longo prazo, Henri Poupart-Lafarge, presidente da Alstom Transport, admite o desafio de manter um fluxo de demanda contínuo no curto prazo, em um momento de desaceleração econômica e de redução do ritmo de investimentos em infraestrutura no país, situação que é agravada pela operação Lava-Jato e também citação do nome da multinacional em investigações de corrupção.

As primeiras unidades produzidas na fábrica de Taubaté serão direcionadas para o projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. A encomenda para o município é de 32 trens, o que manterá o movimento da fábrica nos primeiros meses. A unidade possui cerca de 16 mil m2 e tem capacidade para produzir de sete a oito trens por mês. Mas o presidente da empresa diz que a capacidade pode ser expandida a depender da demanda.

No momento, a empresa está em negociações para fornecer 60 trens para a cidade de Goiânia, afirma Poupart-Lafarge, que seriam todos fornecidos pela fábrica de Taubaté. Ele diz que falta apenas a confirmação de operações de financiamento para o projeto.

Poupart-Lafarge cita Campinas (SP), Manaus (AM) e Recife (PE) entre possibilidades de cidades onde a Alstom Transport pode conseguir novos contratos. Questionado sobre a possibilidade de uso dos VLTs também na região metropolitana de São Paulo, o executivo afirmou que seria uma opção para conectar áreas mais periféricas, como já acontece outras metrópoles do mundo.

Poupart-Lafarge é presidente da Alstom Transport desde 2011 e diz que o Brasil, por ter várias cidades grandes e necessidade de investimentos em mobilidade urbana, é um importante mercado para a companhia, embora no curto prazo veja alguns riscos que podem impedir o crescimento rápido das operações. Ele coloca entre esses riscos a desaceleração econômica. Questionado sobre os envolvimentos da Alstom em escândalos no país, ele afirma que a companhia está colaborando com todos os tipos de negociações e que está comprometida com o país. "Não sou ingênuo e sei que as investigações podem gerar discussões no curto prazo. Mas estamos extremamente dedicados a colaborar."

A Alstom é acusada de formação de cartel para se beneficiar em licitações para obras e serviços de manutenção do Metrô de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). No início de fevereiro, teve seus bens bloqueados pela Justiça de São Paulo. No exterior, a companhia também é acusada de pagar suborno para ganhar contratos de energia, resultado de seis anos de investigação nos EUA, Suíça e Indonésia.

O mercado latino-americano é responsável hoje por 15% da carteira de pedidos da Alstom Transport, com cerca de € 1 bilhão, de um total de € 6,4 bilhões. O Brasil corresponde por algo em torno de 50% a 60% das receitas da operação da região, diz Michel Boccaccio, vice-presidente da Transport para a America Latina.

Como parte de um plano da multinacional de focar na área de transportes, a Alstom está perto de finalizar a venda da unidade de energia para a GE. A negociação conta com a aquisição da área de sinalização da fabricante americana por parte da francesa e aguarda aprovação de órgãos regulatórios europeus.

A Alstom espera que o negócio de US$ 17 bilhões seja aprovado pelos órgãos antitruste por volta do meio deste ano, disse Poupart-Lafarge. A proposta foi aprovada pelo conselho de administração da Alstom e pela assembleia dos acionistas. Na semana passada, no entanto, a União Europeia disse que pretende investigar detalhadamente o negócio, para ver se ele poderia levar a um aumento nos preços de grandes turbinas a gás.