sexta-feira, 23 de março de 2012

VLT de Cuiabá: Será que essa obra sairá do papel?

23/03/2012 - Circuito Mato Grosso

Orçado em mais de R$ 1 bilhão alguns falam em R$ 1,19 bilhão, o VLT de Cuiabá e Várzea Grande só tem garantido até o momento R$ 450 milhões, financiamento já aprovado pela Caixa Econômica Federal

Jairo Pitolé Sant’Ana

O VLT de Campinas chegou a operar durante quatro anos, mas foi desativado por diversos erros cometidos em sua implantação | Fotos: Divulgação“Prefiro um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) inacabado”, afirmou na edição 378 deste Circuito Mato Grosso, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva. Ao que tudo indica, sua previsão poderá se concretizar e o novo modal não ficar pronto para a Copa do Mundo de 2014.

O que não será exclusividade do Estado, uma vez os cinco projetos ferroviários previstos (Cuiabá, Brasília, Fortaleza, Manaus e São Paulo) não deverão estar totalmente prontos para o evento. A única exceção, talvez, seja Fortaleza, por se tratar de um sistema pequeno e mais simples.

Também a exemplo de Cuiabá, como informa o repórter Dimmi Amora, da Folha de São Paulo, em reportagem publicada no último domingo, nenhum dos outros quatro projetos estão com suas obras iniciadas.

Orçado em mais de R$ 1 bilhão – alguns falam em R$ 1,19 bilhão, o VLT de Cuiabá e Várzea Grande só tem garantido até o momento R$ 450 milhões, financiamento já aprovado pela Caixa Econômica Federal, com aval da Secretaria do Tesouro Nacional e ministérios do Planejamento e das Cidades. O restante, cerca de R$ 740 milhões, ainda está emperrado, diz a reportagem da Folha de São Paulo.

Quem corrobora essa informação é o ex-governador e atual deputado federal Julio Campos. Segundo ele, “o governador Silval Barbosa anunciou o empréstimo conseguido, mas isso ainda não saiu do papel, pois a Procuradoria da Fazenda Nacional ainda não deu o parecer pela liberação dos recursos”.

Ele diz ainda que, além de Cuiabá, as obras para a Copa de 2014 estão atrasadas em todo o País. Mas que na capital mato-grossense, a paralisação se deveu, principalmente, em face aos escândalos no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte), que culminaram na demissão de Luiz Antônio Pagot da presidência do órgão.

Não fugindo às suas características de falar o que vem à cabeça, Julio Campos disse que está tentando uma audiência na Procuradoria da Fazenda Nacional para acabar com entraves que estão impedindo a liberação do dinheiro, fruto de empréstimo junto à CEF e ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “O momento é de unir forças para não permitir um vexame mundial envolvendo o nome de Mato Grosso”, afirmou a um site.    

Mesmo assim a licitação para as obras do VLT já foi lançada, com previsão de abertura das propostas para o dia 23 de abril. Caso tenha conseguido a liberação dos R$ 740 milhões restantes, o Governo de Mato Grosso dará 24 meses ao vencedor para que conclua o projeto executivo, as obras, as encomendas e os testes.

Segundo especialistas, apenas para a elaboração do projeto executivo demora-se seis meses, enquanto, após as obras, não necessários entre quatro e seis meses para a realização de testes do sistema antes de abri-lo ao público.

A Copa do Mundo no Brasil começa dentro de 27 meses. Será que dá tempo para o VLT de Cuiabá e Várzea Grande ficar pronto a tempo? Façam suas apostas!

Um “bom” mau exemplo

Um exemplo que não deve ser seguido, quando se trata de um VLT, é o de Campinas (SP). O modal, que chegou a ser operado precariamente entre 1991 e 1995, foi desativado por diversos erros cometidos em sua implantação, como a ausência de integração com ônibus e estações mal localizadas.

De acordo com uma reportagem veiculada em 2008 pela Agência  Anhanguera e assinada pelo repórter Bernardo Medeiros, dois túneis do VLT de Campinas se transformaram em abrigo para mendigos e pontos de prostitutas e drogados.     

“Quem passa pela estação abandonada do VLT, no Bairro Vila Rica, em Capinas, não imagina o submundo que existe debaixo dos trilhos que um dia serviram para transportar passageiros. (...) Cada túnel tem aproximadamente 100 metros de comprimento e por toda sua extensão é possível encontrar colchões e outros pertences dos moradores”, diz a matéria.

Com 8 km de extensão o VLT de Campinas, inaugurado pouco antes da eleição de 1990, cujo vencedor ao governo de São Paulo foi Luiz Antônio Fleury, custou cerca de US$ 120 milhões, dinheiro que poderia ser utilizado em obras que não fossem abandonadas.

Espera-se que não aconteça o mesmo com o VLT de Cuiabá, já que experiência o mato-grossense tem de sobra. Apenas para citar dois deles, há o Hospital Central de Cuiabá, cujo esqueleto está abandonado há mais de 20 anos, e do Rodoanel em torno de Cuiabá, cujas obras estão paralisadas desde 2010. Do dinheiro?... Ninguém sabe, ninguém viu! 

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