sábado, 21 de julho de 2012

VLT de Goiânia: governo ainda busca recursos

19/07/2012 - O Popular

Governo da capital goiana quer iniciar obras de metrô do Eixão em novembro, com recursos já obtidos da União
 
Perspectiva do VLT de Goiânia
créditos: Divulgação
 
Um dos principais projetos do governo estadual, o metrô de superfície no Eixo Anhanguera (VLT Anhanguera) tem garantido 16% de seu orçamento de R$ 1,3 bilhão, ou seja, R$ 215 milhões do PAC da Mobilidade, do governo federal. O restante do recurso necessário para tocar a obra ainda está sendo captado.
 
Em entrevista, o governador Marconi Perillo informou que destinará R$ 400 milhões de um empréstimo que o Estado pleiteia junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para o VLT, mais R$ 108 milhões de fundo perdido – que ainda não foi criado – e que espera uma contrapartida de R$ 550 milhões da iniciativa privada por meio de parceria.
 
Marconi confirmou que o Estado vai solicitar R$ 627 milhões do Programa Emergencial de Financiamento (PEF) do BNDES e que, deste total, R$ 400 milhões deverão ser investidos no VLT. Anunciado em meados de junho pela presidente Dilma Rousseff (PT) como parte do plano para reaquecer a economia nacional, o PEF deve ser liberado no final do ano.
 
Mesmo assim, o governo avança com o projeto: quer licitar e dar início às obras até novembro e colocar os primeiros trens para rodar em 2014. O Tribunal de Contas da União (TCU), responsável pela fiscalização do uso de recursos federais, recebeu cópia do projeto há um mês e considerou o planejamento financeiro incompleto, o que pode gerar uma ação de embargo caso as obras comecem sem que todos os convênios estejam firmados.
 
“Como vamos permitir uma obra dessas, um projeto de R$ 1,3 bilhão com uma estrutura financeira falha?”, questiona o secretário-geral de Controle Externo do TCU em Goiás, Paulo Henrique Nogueira. “Enquanto não corrigirem os pontos obscuros, que não se aplique recurso federal nessa obra”, condiciona.
 
O empréstimo junto ao BNDES, no entanto, é dado como certo pelo governo estadual. “Não saiu mas tem indicativo de que sai”, afirma o presidente da Metrobus, Carlos Maranhão, que faz a análise técnica do projeto. “O governo possui garantias necessárias para o projeto”, tranquiliza o secretário de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia, Silvio Silva Sousa.
 
Silvio disse ao POPULAR que as chances do VLT rodar em 2014 são certas. “As obras de engenharia e infraestrutura são relativamente simples.O que requer um cuidado maior é o material rodante que deve ser todo importado, mas temos feito vários contatos com fornecedores estrangeiros e é possível sim (inaugurar em 2014)”, escreveu por e-mail .
 
Grande intervenção
O projeto do Veículo Leve Sobre Trilhos – VLT Anhanguera – prevê a substituição dos ônibus por trens elétricos e uma enorme intervenção urbana nos 14 quilômetros do traçado do Eixão. As obras farão interferências de Leste a Oeste em Goiânia, principalmente no centro da cidade.
 
Elaborado pelo consórcio das empresas que operam o transporte coletivo em Goiânia e pela Odebrecht, empresa que também deve participar da licitação para as obras, o projeto prevê desapropriar mais de 90 mil metros quadrados ao longo do traçado. “O montante pode ser considerado modesto, já que 60 mil metros quadrados correspondem ao pátio de manutenção de estacionamento a ser implantado próximo à Estação Novo Mundo”, diz o texto.
 
Os trens circularão na superfície, sobre longos trechos gramados, exceto no cruzamento da Avenida Anhanguera com a BR-153, única parte onde haverá uma estação subterrânea. Neste ponto está previsto um trecho de 800 metros de via rebaixada e outro de 450 metros em elevado.
 
Além de toda estrutura necessária para fazer rodar o VLT – como instalação de subestações elétricas ou a readequação de todos os terminais, por exemplo – o projeto reurbaniza várias partes da cidade. É o caso de um trecho de 1,4 quilômetro compreendido entre as Avenidas Araguaia e Tocantins, no Centro.
 
Ali, o governo pretende construir grandes calçadões e praças, onde não mais circularão carros, mas só o trem, pedestres e ciclistas. Uma estrutura para atividades artísticas, teatros, museus, restaurantes e bares está prevista para os cruzamentos das Ruas 20, 6, 7, 8, 9 e 30 com o Eixo.
 
Os trens transportarão 240 mil passageiros por dia. Disponível de três em três minutos, o VLT pode gerar economia de tempo de até 26,5% ao usuário. O valor da tarifa será a mesma cobrada pelo transporte coletivo de Goiânia (R$ 2,70). O custo real da viagem, pelo menos 66% a mais do cobrado, será subsidiado pelo governo estadual, cuja diferença é a contrapartida do Estado às empresas privadas que operarem o sistema. Os recém adquiridos ônibus que hoje rodam no Eixão serão utilizados na extensão do trecho.

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