quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Obras atrasadas da Copa em Cuiabá passarão por auditoria, diz secretário

06/01/2015 - G1 MT

Gustavo Oliveira, do gabinete de Projetos Estratégicos, anunciou medida. Temos 22 obras, cada uma com um problema específico, afirmou Oliveira.

Renê Dióz

Todas as 22 obras atrasadas da Copa do Mundo que continuam em andamento ou paradas na região metropolitana de Cuiabá serão submetidas a auditorias que deverão averiguar se os atrasos e falhas foram provocados por algum tipo de irregularidade e que também deverão apontar como dar continuidade aos trabalhos. O anúncio é do novo secretário extraordinário do gabinete de Projetos Estratégicos, o engenheiro Gustavo Oliveira, designado pelo governador Pedro Taques (PDT) para "liquidar" a já extinta Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) e assegurar que os projetos iniciados sejam concluídos sem mais prejuízos.

Criado por Taques com uma estrutura reduzida, o novo gabinete de Projetos Estratégicos tem entre suas principais atribuições dar a devida destinação a toda a estrutura da Secopa e terminar o volume de trabalho que não se encerrou com o fim do mandato de Silval Barbosa (PMDB), durante o qual todas as obras da Copa sofreram atrasos – segundo admitiu o ex-titular da Secopa, Maurício Guimarães.

Devido ao atraso generalizado e à constatação de falhas de projetos e de execução em construções contratadas pela Secopa, ainda durante o período de transição Oliveira anunciou que todas as obras serão submetidas a uma extensa e profunda auditoria.

"A princípio, temos ainda 22 obras em andamento. Temos obras de mobilidade, obras de travessia urbana (como é o caso do Tijucal), temos os dois COTs [Centros Oficiais de Treinamento], o entorno da Arena Pantanal, que ainda não está concluído. Então, temos 22 obras, cada uma com um problema específico, uma tratativa específica", resumiu Oliveira.

VLT
Segundo ele, a Secopa também deixou pendentes cerca de 300 processos de desapropriação essenciais para o término das obras do metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Ainda não há um valor consolidado, mas Oliveira chegou a falar numa estimativa de R$ 100 milhões em custos totais para as desapropriações pendentes. O cálculo pode ser revisto posteriormente.

Licitada por mais de R$ 1,4 bilhão, o VLT é a obra mais cara já contratada pelo governo do estado e deveria ter sido entregue em março de 2014, mas atrasou e, atualmente, não há previsão de término.

À época em que o VLT foi escolhido para substituir o Bus Rapid Transit (BRT) como modal de transporte a ser implantado na Grande Cuiabá para a mobilidade urbana durante a Copa do Mundo, o então senador Pedro Taques foi crítico da mudança de modelo. No governo federal, houve indício de fraudes na homologação do modelo do VLT em substituição ao BRT por parte do Ministério das Cidades, episódio que acabou provocando a exoneração de um chefe de gabinete do ministério.

Agora, Taques assume o governo tendo que concluir a obra que criticou sob risco de que ela cause ainda mais prejuízos.

Sobre isso, Taques já declarou que não adianta "chorar sobre o leite derramado" e que o governo buscará alternativas para concluir os trabalhos abandonados o mais rápido possível sem mais prejuízos à população e, caso necessário, responsabilizando quem eventualmente tenha cometido irregularidades no contrato ou na execução do projeto.

Retomada das obras
"Nós precisamos sentar com o consórcio construtor, entender qual é o cronograma de trabalho possível e discutir isso abertamente com a sociedade – o custo para terminar a obra, o prazo, como vai ser feito. Porque hoje é uma grande incógnita, ninguém sabe o prazo de execução e como essa obra vai andar", afirmou o novo secretário Gustavo Oliveira.

À frente do gabinete de Projetos Estratégicos, ligado à Governadoria, Oliveira deverá planejar a transição da estrutura, das ações e dos cargos da antiga Secopa para a tutela, no futuro, por parte da Secretaria de Cidades, do arquiteto Eduardo Chiletto. A idéia é que seja criada uma superintendência dentro da secretaria para tratar dos trabalhos pendentes da Secopa.

Enquanto essa transição não se consolida, ficará a cargo de Oliveira estudar alternativas para a retomada das obras, o estabelecimento de novos cronogramas e soluções para a operação do VLT e a concessão do estádio Arena Pantanal – cuja estrutura também vem sofrendo com o abandono. "Meu primeiro trabalho é entender o contexto e oferecer alternativas", resumiu o novo secretário.

Viadutos
Oliveira também deverá buscar soluções para problemas mais pontuais não resolvidos pela Secopa, como os alagamentos frequentes na região do viaduto do VLT na Avenida Fernando Corrêa, na entrada do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o reforço estrutural do "viaduto da Sefaz" - obra também integrante do projeto do VLT, localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA) perto da sede da Secretaria de estado de Fazenda (Sefaz).

"É óbvio que há um problema de drenagem. Nós vamos discutir algumas alternativas para a solução do problema de drenagem. Nem a equipe do VLT, nem a prefeitura de Cuiabá, nem o cidadão querem que aquele ponto alague, isso é danoso para todo mundo", afirmou Oliveira sobre o viaduto da UFMT, para depois ponderar: "atribuir aquele problema de alagamento só à obra do VLT me parece uma conclusão precipitada. Nós temos que entender todo o contexto de drenagem da região e oferecer uma solução que resolva tudo".

Já sobre o viaduto da Sefaz, ele afirmou que recebeu da equipe do Consórcio VLT (responsável pelas obras) a previsão de término dos trabalhos de reforço estrutural em abril. Em 2014, o elevado foi declarado inseguro para tráfego de veículos depois que, com atraso, já tinha sido liberado para uso. Por conta da constatação, a Secopa voltou a interditar a estrutura e anunciou que o Consórcio VLT faria uma obra de reforço do viaduto.

Fonte: Do G1 MT 

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