quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

VLT de Cuiabá ameaça aeroporto

15/02/2015 - Diário de Cuiabá

Obras concluídas para a implantação do VLT na Avenida João Ponce de Arruda, em Várzea Grande, estão fora dos padrões e poderão interferir de forma \inaceitável\ na operação regular e na segurança de pousos e decolagens no Aeroporto Marechal Rondon.

A avaliação consta de um parecer técnico produzido pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), vinculado ao Ministério da Defesa e ao Comando da Aeronáutica, e encaminhado à Secopa em setembro do ano passado.

O documento reprovou os projetos da Estação Couto Magalhães (uma das 22 previstas na linha Aeroporto-CPA), de uma subestação de energia de 4.7 megawatts e da rede de catenárias (postes que fornecem energia às composições) no trecho mais próximo à cabeceira da pista de pouso.

A Aeronáutica emitiu parecer desfavorável à implantação do trecho norte da infraestrutura para o VLT (...) em função de efeito adverso à segurança e a regularidade das operações aéreas e prejuízo operacional inaceitável\, disse a Aeronáutica, em nota ao DIÁRIO.

O Decea se manifestou após receber os projetos por parte da Secopa. Naquele momento, porém, as obras já estavam em andamento, como é o caso da estação Couto Magalhães, ou concluídas, como a da subestação de energia de número 2.

Segundo o parecer, as estruturas de alimentação elétrica do novo modal, se mantidas onde estão, irão causar interferências perigosas no sistema conhecido como DME (uma estação que emite ondas de rádio e que auxilia a navegação aérea durante a aproximação do aeroporto).

Outra incompatibilidade detectada foi a altura inadequada das catenárias e da própria estação de passageiros. De acordo com o levantamento, a manutenção das construções irá interferir na chamada rampa de aproximação das aeronaves.

Para manter os padrões de segurança nestas condições, seria preciso deslocar a cabeceira da pista cerca de 300 metros à frente da posição atual, reduzindo a extensão total da pista em 13%.

A linha Aeroporto-Porto, com cinco quilômetros de extensão, tornou-se prioritária após o governo admitir que o cronograma original, que previa a entrega de todas as obras do modal em março de 2014, não seria cumprido. A promessa de que o trecho entraria em operação durante o evento também não se concretizou.

Com a extinção da Secopa, as obras do VLT passaram à responsabilidade do recém-criado Gabinete de Projetos Estratégicos. Por meio de sua assessoria, o responsável pela pasta, Gustavo Oliveira, disse que aguarda a apresentação de alternativas por parte do Consórcio VLT.

Entre as propostas em estudo, estão o rebaixamento da fiação e a remoção da estação de passageiros Couto Magalhães e da subestação de energia número 2.

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