domingo, 4 de outubro de 2015

Câmara tem acesso a projeto detalhado do VLT de Salvador

03/10/2015 - Tribuna da Bahia

Voltado para atender às necessidades de mobilidade no subúrbio ferroviário, o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que será instalado no lugar do antigo trem que ligava a região suburbana à Calçada, foi apresentado nessa sexta-feira (2/10), durante uma audiência pública no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador.

O meio de transporte que substitui o antigo modal da Cidade Baixa terá 18,5 km de extensão, onde serão investidos aproximadamente R$ 1,5 bilhão, provenientes de recursos dos governos federal e estadual.

Representando o governo do estado, o coordenador executivo da Secretaria da Casa Civil, Eracy Lafuente, ressaltou a importância de implantação do novo sistema de transporte. "O VLT não é um ‘capricho’, é uma necessidade já hoje em razão do deslocamento daquelas comunidades, bem como o sistema interligado ao metrô”.

No entanto, Lafuente destacou que o equipamento ainda não foi licitado. "Como todos tem conhecimento, este ano tem sido algo que gerou atrasos para investimentos futuros, não só os nossos, mas como também da municipalidade”, afirmou.

Ainda assim, ele também adianta que o projeto de engenharia e o orçamento já foram aprovados pela Caixa Econômica Federal, e só está aguardando a definição de fontes.   

Em sua versão mais recente, o projeto agora terá duas linhas: uma ligando o Paripe ao Comércio, onde se concentra a maior parte do percurso entre o subúrbio e o centro, com 18,5 km, de extensão. E outra linha ligando o Comércio à estação da Lapa, com 0,8 km, em um túnel subterrâneo, possibilitando a integração com o metrô.

No total serão 21 paradas que têm início na Avenida São Luiz, do bairro suburbano, encerrando o percurso na estação de transbordo do centro da cidade. No entanto, a etapa ligando o Comércio à Lapa ainda está sob análise de viabilidade econômica e arquitetônica.

O conceito se baseia em um sistema moderno, onde ao invés de estações – como é o caso dos metrôs –, existem paradas, que são de fácil execução e locomoção, compostas de uma plataforma elevada de 30 cm, com piso permanente, sendo voltados a todo tipo de elementos indicados na legislação no que diz respeito à acessibilidade e aos usuários com dificuldades de locomoção.

As paradas também terão comprimentos de 60 e 80 metros, tamanho suficiente para comportar até sete carros. Como o veículo andará no chão, na mesma altura que os passageiros, as dez estações atuais terão outras utilidades para a prestação de outros serviços aos moradores.

Desapropriação é discutida

Embora ainda não haja prazos para o lançamento do edital de licitação, o representante da Casa Civil afirma que está em diálogo com investidores alemães e chineses. As obras deverão durar 36 meses.

Apesar dos benefícios, parte do público criticou a falta de dados mais específicos sobre o projeto, a começar pelo número de casas que deverão ser desapropriadas por conta das obras.

Segundo o coordenador executivo, as famílias serão deslocadas para outras moradias adquiridas na região, assim como à outras residências do programa Minha Casa, Minha Vida.

Organizada pela Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente da Câmara, a audiência foi avaliada como um passo positivo pelo presidente da comissão, o vereador Arnando Lessa (PT).

"A audiência, ocorrendo mesmo antes das obras serem iniciadas, demonstra o interesse de que a população seja agente participativo nesse processo, para que o governo não empurre goela abaixo da população uma obra vinda de cima pra baixo, sem ouvir os moradores e os principais atingidos. Tivemos 117 lideranças comunitárias presentes, a maioria moradora daquela região, que tomou conhecimento das melhorias, mas também dos impactos, para que dessa forma, os problemas sejam amenizados ao longo do processo”, analisou Lessa.

 O edil também explicou que as desapropriações serão acompanhadas pela Câmara. "O coordenador da Casa Civil deixou claro que elas ocorrerão corretamente, analisando o valor de mercado dos imóveis, sem deixar ninguém desassistido, com todos indenizados, tal como ocorreu com as desapropriações da via expressa”, observou.

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